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Tabagismo responde por 80% das mortes por câncer de pulmão no Brasil

Por Eliashacker.com.br 16/05/2024 às 13:54:28

Estudo feito por pesquisadores da Fundação do Câncer aponta que o tabagismo responde por 80% das mortes por câncer de pulmão em homens e mulheres no Brasil. O trabalho foi apresentado nesta quinta-feira (16) pela fundação no 48Âș encontro do Group for Cancer Epidemiology and Registration in Latin Language Countries Annual Meeting (GRELL 2024, na sigla em inglĂȘs), na SuĂ­ça.

Em entrevista à AgĂȘncia Brasil, o epidemiologista Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer, o estudo visa a apresentar para a sociedade dados que possibilitem ações de prevenção da doença. "O câncer de pulmão tem uma relação direta com o hĂĄbito do tabagismo. A gente pode dizer que, tecnicamente, é o responsĂĄvel hoje pela grande maioria dos cânceres que a gente tem no mundo, e no Brasil, em particular."

Cigarro eletrônico

Alfredo Scaff acredita que o cigarro eletrônico poderĂĄ contribuir para aumentar ainda mais o percentual de óbitos do câncer de pulmão provocados pelo tabagismo. "O cigarro eletrônico é uma forma de introduzir a juventude no hĂĄbito de fumar." O epidemiologista lembrou que a nicotina é, dentre as drogas lĂ­citas, a mais viciante. O consultor da Fundação do Câncer destacou que a ideia de usar cigarro eletrônico para parar de fumar é muito controvertida porque, na maioria dos casos, acaba levando ao vĂ­cio de fumar. "E vai levar, sem dĂșvida, ao desenvolvimento de cânceres e de outras doenças que a gente nem tinha."

O cigarro eletrônico causa uma doença pulmonar grave e aguda, denominada Evali, que pode levar a óbito, além de ter outro problema adicional: a bateria desse cigarro explode e tem causado queimaduras graves em muitos fumantes. "Ele é um produto que veio para piorar toda a situação que a gente tem em relação ao tabagismo."

Gastos

O estudo indica que o câncer de pulmão representa gastos de cerca de R$ 9 bilhões por ano, que envolvem custos diretos com tratamento, perda de produtividade e cuidados com os pacientes. JĂĄ a indĂșstria do tabaco cobre apenas 10% dos custos totais com todas as doenças relacionadas ao câncer de pulmão no Brasil, da ordem de R$ 125 bilhões anuais.

"O tabagismo não causa só o câncer de pulmão, mas leva à destruição dos dentes, lesões de orofaringe, enfisema [doença pulmonar obstrutiva crônica], hipertensão arterial, infarto agudo do miocĂĄrdio, acidente vascular cerebral [AVC] ou derrame. Ele causa uma quantidade enorme de outras doenças que elevam esses valores significativos de gastos do setor pĂșblico diretamente, tratando as pessoas, e indiretos, como perda de produtividade, de previdĂȘncia, com aposentadorias precoces por conta disso, e assim por diante", afirmou Alfredo Scaff.

Para este ano, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima o surgimento no Brasil de 14 mil casos em mulheres e 18 mil em homens. Dados mundiais da International Agency for Research on Cancer (IARC), analisados por pesquisadores da Fundação do Câncer, apontam que, se o padrão de comportamento do tabagismo se mantiver, haverĂĄ aumento de mais de 65% na incidĂȘncia da doença e 74% na mortalidade por câncer de pulmão até 2040, em comparação com 2022.

O trabalho revela também que muitos pacientes, quando procuram tratamento, jĂĄ apresentam estĂĄgio avançado da doença. Isso ocorre tanto na população masculina (63,1%), como na feminina (63,9%). Esse padrão se repete em todas as regiões brasileiras.

Sul

O estudo constatou que na Região Sul o hĂĄbito de fumar é muito intenso. O Sul brasileiro apresenta maior incidĂȘncia para o câncer de pulmão, tanto em homens (24,14 casos novos a cada 100 mil) quanto em mulheres (15,54 casos novos a cada 100 mil), superando a média nacional de 12,73 casos entre homens e 9,26 entre mulheres. "VocĂȘ tem, culturalmente, um relacionamento forte com o tabagismo no Sul do paĂ­s, o que eleva o consumo do tabaco na região levando aĂ­, consequentemente, a mais doenças causadas pelo tabagismo e mais câncer de pulmão", observou Scaff.

Apenas as regiões Norte (10,72) e Nordeste (11,26) ficam abaixo da média brasileira no caso dos homens. JĂĄ em mulheres, as regiões Norte, Nordeste e Sudeste ficam abaixo da média brasileira com 8,27 casos em cada 100 mil pessoas; 8,46; e 8,92, respectivamente.

O Sul também é a região do paĂ­s com maior Ă­ndice de mortalidade entre homens nas trĂȘs faixas etĂĄrias observadas pelo estudo: 0,36 óbito em cada 100 mil habitantes até 39 anos; 16,03, na faixa de 40 a 59 anos; e 132,26, considerando maiores de 60 anos. Entre as mulheres, a Região Sul desponta nas faixas de 40 a 59 anos (13,82 óbitos em cada 100 mil) e acima dos 60 anos (81,98 em cada 100 mil) e fica abaixo da média nacional (0,28) entre mulheres com menos de 39 anos: 0,26 a cada 100 mil, mesmo Ă­ndice detectado no Centro-Oeste, revela o estudo.

Em ternos de escolaridade, o trabalho revelou que, independentemente da região, a maioria dos pacientes com câncer de pulmão tinha nĂ­vel fundamental (77% para homens e 74% para mulheres). A faixa etĂĄria de 40 a 59 anos de idade concentra o maior percentual de pacientes com câncer de pulmão: 74% no caso dos homens e 65% entre as mulheres.

Embora as mulheres apresentem taxas mais baixas de incidĂȘncia e de mortalidade do que os homens, a expectativa é que mulheres com 55 anos ou menos experimentem diminuição na mortalidade por câncer de pulmão somente a partir de 2026. JĂĄ para aquelas mulheres com idade igual ou superior a 75 anos, a taxa de mortalidade deve continuar aumentando até o perĂ­odo 2036-2040.

Fonte: AgĂȘncia Brasil

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