Um juiz haitiano encarregado da investigação do assassinato do último
presidente do país caribenho, Jovenel Moise, em 2021, acusou cerca de cinquenta
pessoas, incluindo a viúva de Moise e um ex-primeiro-ministro de envolvimento
no caso, de acordo com um documento vazado pela imprensa local.
De acordo com o arquivo de 122 páginas do juiz Walther Wesser Voltaire,
divulgado pelo AyiboPost, a viúva do presidente, Martine Moise, conspirou com o
ex-primeiro-ministro Claude Joseph para matar o presidente, a fim de
substituí-lo ela mesma.
Moise foi morto a tiros quando homens armados invadiram seu quarto em
Porto Príncipe na noite de 7 de julho de 2021, uma operação que deixou a
ex-primeira-dama ferida.
A ordem do juiz exige a prisão e o julgamento dos acusados.
A ex-primeira-dama não respondeu imediatamente ao pedido de comentários
da Reuters, assim como Joseph. Moise criticou nas redes sociais o que chama de
prisões injustas e perseguições políticas.
Entretanto, Joseph afirmou ao Miami Herald que o sucessor de fato do
presidente, o primeiro-ministro Ariel Henry, era o principal beneficiário do
caso e estava agora "armando o sistema de justiça haitiano" para perseguir os
oponentes em um "golpe de Estado clássico".
Um porta-voz do gabinete de Henry destacou que o juiz é independente e
"livre para emitir sua ordem de acordo com a lei e sua consciência".
Henry foi nomeado para substituir Joseph, que agora lidera um partido de
oposição, dias antes do assassinato. Prometeu realizar eleições, mas as adiou
indefinidamente, citando um terremoto devastador e o poder crescente de grupos
criminosos fortemente armados, para os quais procurou ajuda externa.
Estima-se agora que as gangues controlam a maior parte da capital, e o
Quênia se prepara para liderar uma força internacional ratificada pela ONU para
apoiar a polícia haitiana, embora abusos anteriores cometidos por missões
estrangeiras e alegações contra o governo de Henry tenham deixado os países
receosos de apoio voluntário.
Um outro caso sobre o assassinato de Moise está sendo julgado em Miami,
onde seis dos 11 réus se declararam culpados de uma conspiração para enviar
mercenários colombianos para sequestrar Moise, um plano que foi alterado na
última hora para assassiná-lo.
Os conspiradores, de acordo com as acusações dos EUA, tentaram
substituir Moise pelo pastor haitiano-americano Christian Emmanuel Sanon.
Fonte: agoranoticiasbrasil.com.br